• Matheus Simplício

A Dor de Aslam



Nenhum personagem trouxe tanto pavor e misericórdia quanto Aslam. A feiticeira era, de fato, muito pavorosa, mas se perdia em meio a gloriosa, e apavorante, misericórdia de Aslam.

Após seu canto, Nárnia criava forma e beleza. Da voz do Leão, alguns animais eram abençoados com o dom da fala.


Mas com uma assustadora (e, claro, proposital) semelhança ao Éden, um humano desperta o mau que dormira há anos: Digory não se contém, e bate o sino que desperta a feiticeira.


“O mau já está aqui”, pressentia o Leão.

Digory, que de alguma forma tinha esperança de encontrar uma cura para sua mãe enferma, agora sabe que nem mesmo o criador de Nárnia poderá o ajudar; afinal, ele trouxe o tal mau.


Ao estar diante do Leão, Digory explica sua situação, temendo o que lhe aconteceria.


Mas Aslam não reage como o menino esperava, talvez por não experimentar o tal mau.


O Leão chora pelo sofrimento de Digory. Sua lágrimas eram tão grandes e tão brilhantes, “que por um instante [Digory] sentiu que ele sofria por sua mãe mais do que ele próprio”.


Aslam ensina algo ao menino que ele levaria consigo para o resto de sua vida: o mau não nos torna imerecedores da compaixão, assim como o nosso bem não nos torna merecedores da mesma.


A compaixão de Aslam não é movida pela atitude de Digory, mas por sua dor.

E sabe o que é mais lindo de toda essa história? O Leão tem a solução para o menino, ele sabe como salvar sua mãe; mas mesmo podendo, ele não poupou suas próprias lágrimas.


Jesus chora pela morte de Lázaro, mesmo tendo a solução para ela.


O que Jesus e Aslam tem a nos ensinar?

A compaixão faz parte da vida do homem piedoso. Não importa se sabemos o que fazer para que nosso amigo pare de chorar. Chorar com ele nos fará parecidos com Cristo.



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