• Matheus Simplício

A Mula, de Clint Eastwood

Atualizado: Jan 6



Título: The Mule (Original)

Direção: Clint Eastwood

Estreia: 14 de Fevereiro de 2019 (Brasil) Duração: 116 minutos


Clint Eastwood sempre foi o símbolo do heroísmo. Dos faroestes até os policiais, ele sempre interpretou o herói durão que luta por algo maior.


Mas não em A Mula.


O filme conta a história de Earl Stone, um octogenário que sempre priorizou seu trabalho com plantações de lírios em detrimento da sua família. E em certo momento, o personagem de Eastwood tem a oportunidade de transportar drogas para os mexicanos, o que lhe renderia muito dinheiro.


E aqui se esconde o coração do filme: ele não é para todos, daqueles em que o roteiro (bem simples, por sinal) se sobressai. Não. Ele fala sobre desconstrução de esteriótipos em que, nem sempre, um senhor de oitenta anos pode ser um inocente.


Pra quem acompanha a carreira do cineasta, é emocionante ver a sua interpretação, levando em conta a sua idade, cheia de nuances de antigos personagens e, principalmente, notar que aquele galã do faroeste, que escondia suas armas em baixo do poncho, ainda está ali. Cansado, mas está.


A relação do personagem com sua família é completamente conturbada. Sua filha tenta esquivar-se de qualquer contato com ele, como uma resposta a sua negligência como pai. Sua ex-esposa também tenta o esquivo, a indiferença, mas seu olhar não consegue fazê-lo. Ela ainda o ama.





Com uma pequena, e sutil, crítica aos policiais americanos, Eastwood chama Bradley Cooper para interpretar Colin Bates, o agente que o caçaria. O policial fica cara a cara com a mula do tráfico, mas não é capaz de desconfiar de um senhor de 90 anos.


E essa é a principal mensagem do filme, nem tudo é o que parece ser. Nem todo octogenário é inocente. Nem toda mula entra para o crime porque ama. Nem todo desprezo significa não amar.


Provavelmente não veremos esse filme com a mesma publicidade que outros tem por ai. Preferimos nos entreter do que refletir sobre nossas escolhas.


A Mula é um filme simples, que conta a história real de um homem que perde a sua família, mas que tenta reconquistá-la. É clichê, mas como Umberto Eco disse uma vez: "Dois clichês nos fazem dar risada, cem clichês nos comovem".






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