• Matheus Simplício

A Polêmica de Tarantino e o Valor da Memória




Parece até pleonasmo falar que Tarantino está envolvido em alguma polêmica. Mas essa última realmente vale a pena discutir.


No seu 9° filme, Era uma vez em..Hollywood, Tarantino mostra todo o seu amor pelo cinema.


Trazendo uma história ambientada na velha Hollywood, ele fala sobre hippies, atores em decadência, Família Manson e o assassinato de Sharon Tate; mas a polêmica gira em torno da representação de Bruce Lee.


Como vimos no próprio trailer, Bruce Lee parece se gabar por ser o melhor lutador de Hollywood (e era mesmo), mas num tom um pouco mais arrogante...


Isso bastou para despertar a repreensão da filha de Bruce, Shannon Lee, que diz ser um desrespeito à memória de seu pai.


E aqui se esconde a polêmica...


Alguns defendem a ideia de que é apenas uma ficção, nada pessoal ou desonroso; e outros, como Shannon, que não suportam a ideia de ver um artista marcial que enfrentou tanto preconceito na velha Hollywood, ser tratado como um presunçoso durão.


Vamos ao que interessa!


Para Agostinho, filósofo cristão, a memória é o "estômago da alma": um lugar onde guardamos tudo o que vimos, sentimos e experienciamos.


É através da memória que revemos a aparência daqueles que se foram, que sentimos a alegria da infância, que experimentamos - mais uma vez - aquele momento marcante ao lado de quem amamos.


E foi isso que Quentin Tarantino provocou em Shannon, uma deformidade na imagem que ela guarda de Bruce.


Sinceramente, não acredito que Tarantino quis ofender a família Lee, afinal, é um filme de ficção que não tem compromisso algum com a verdadeira realidade.


Mas quando falamos de memória, falamos de sentimos; sentimentos que são guardados juntos à imagem que temos de algo ou alguém que não está mais ao nosso alcance.


Quem dera poder vivenciar tudo o que está no estômago de nossas almas...


Valorizamos a memória pois ela é um vislumbre daquilo que um dia tivemos, como se a nossa alma chorasse de saudade da vida de outrora.

Mas acima de tudo, valorizamos a memória por medo...


Medo de perder as saudosas pessoas; medo de perder os felizes momentos.


Temos medo do esquecimento.













©2019 by Escrito a pena.