• Matheus Simplício

Construa o que Você Perdeu

Atualizado: Jan 13



Nunca houve uma palavra tão desejada como a palavra Esperança. Em uma cultura que aborda esse tema na TV, filmes e em músicas, é de se assustar o quanto essa palavra faz falta no coração das pessoas.


Nunca testemunhamos uma geração tão desesperançosa como essa. Gente que não vê mais significado na vida, que já desistiu dos seus sonhos; gente que não vê mais a esperança que outrora habitava em si.


Desesperança é o momento pós frustração, em que a saída não é mais avistada a olho nu. É um momento escuro e frio.


E como se recupera aquilo que um dia tivemos? Aquilo que um dia vivia e habitava em nosso interior?


Em Jesus, foi despejado toda a esperança e confiança que existia no coração daqueles que seriam conhecidos como os dois Discípulos de Emaús. Eles creram, de todo coração, que seriam livres e salvos por Jesus.


Mas então a frustração aparece: Jesus é crucificado...


Agora, a liberdade não parece tão real. A ideia de salvação se tornou, assim como antes, apenas uma ideia. Os dois discípulos vão embora de Jerusalém, desanimados e desesperançados.


E naquele caminho, entre Jerusalém e Emaús, o choro é interrompido por um viajante que parece não entender tanta tristeza.


Os dois discípulos escutam o que aquele estranho viajante tem a dizer, e ele tem muito a dizer.


O viajante os consola, os relembra de profecias, traz a tona, novamente, tudo que haviam escrito sobre o filho de Deus.


E então toda dor começa a ceder lugar a uma estranha sensação, algo que os dois habitantes de Emaús já sentiram uma vez: esperança.


Quem era aquele homem que se dispôs a caminhar de Jerusalém até Emaús? Que demonstrou um interesse muito grande na dignidade daqueles dois?


Aquele homem era Jesus.


Os dois não conseguiram reconhecê-lo, o que é normal. Dificilmente reconhecemos a saída quando estamos desesperados.


Mas era Ele. O filho ressurreto de Deus.


Algo nos é ensinado nessa história. De Jerusalém a Emaús, são onze quilômetros de estrada. Jesus começa a caminhar com os dois logo no primeiro quilometro, mas não se apresenta como tal.


E somente no último quilometro, quando o estranho viajante é convidado a cear com os dois, Jesus mostra que a liberdade ainda é real; a salvação não é apenas uma ideia.


Por que Jesus não se apresentou no primeiro quilometro?


Vários são os motivos. Mas se pudêssemos pensar um pouco no que os discípulos de Emaús estavam sentindo, ou até mesmo no que você e eu temos passado, perceberemos que Jesus tem a intenção de ensinar-nos que esperança não é algo que vem pronta, é algo que precisa ser construída.


Seja da distância entre Jerusalém e Emaús, ou da sua casa até um lugar que você costuma frequentar. Precisamos nos entregar ao processo. O processo constrói o homem que um dia se desesperançou.



"... somente uma fé que se abalou inabalável é."

- Os Arrais



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