• Matheus Simplício

O Irlandês, de Martin Scorsese



Data de lançamento: 14 de novembro de 2019 (3h 29min) Direção: Martin Scorsese Elenco: Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci Gêneros: Suspense, Biografia Nacionalidade: EUA

Os gângsters voltaram! Famoso pelos filmes do gênero, Martin Scorsese retorna a sua zona de conforto (e isso não é ruim!) trazendo uma narrativa longa e visceral.


Interpretado por Robert De Niro, o irlandês Frank Sheeran, troca seu emprego de motorista pelo de "pintor de paredes", como ele mesmo se intitulava. Seu pincel seria uma calibre 38, e a tinta, o sangue de quem ele precisasse matar.


Scorsese sabe dirigir filmes sobre máfia, se sente confortável ao fazê-lo. Mas isso não significa que O Irlandês é mais do mesmo. Dificilmente encontraremos um filme tão profundo quanto esse no gênero.


Frank precisa de dinheiro, Russel (Joe Pesci), de alguém que faça o seu trabalho sujo, e esse casamento se torna o pano de fundo da história.


A profundidade de O Irlandês não está nos crimes abordados, mas nas consequências que esses trarão a todos.



O afastamento familiar:


Frank nunca disse à sua família no que estava se envolvendo. O dinheiro entrava, as refeições nunca faltavam, jantares caros eram oferecidos à eles. Os Sheeran não precisavam da confirmação do seu patriarca, o silêncio perturbador na sala de estar gritava o pior.


Suas filhas se afastam, elas tem medo de dizer ao pai o que as aflige, o que disseram a elas na escola, na rua, e todo esse medo, baseia-se na incerteza do que seu pai poderia fazer aos que as perseguem. É irônico, mas a família de Frank se despedaça por ele ter aceito despedaçar outras famílias.


A consequência dos erros:


O filme é narrado por um Frank já velho, no asilo, que fala com saudade dos amigos que teve e com angústia da família que perdeu. Depois de tantas mortes, tantos ciclos encerrados, tantos crimes encobertos, a solidão o abraça. O personagem percebe que seu maior castigo é continuar vivo, sendo despedaçado pelas consequências dos seus erros.


O Irlandês é um filme forte, longo, com uma carga emocional esmagadora, mas necessário. Nele, pensamos sobre a importância de priorizar a família e que, sem arrependimento, viveremos com as cenas horripilantes do que fizemos, do que fizeram a nós e do que deixamos de fazer.


Nossas atitudes mal pensadas ecoarão como gritos de desespero.

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