• Matheus Simplício

Quando nos Tornamos Retalhos




Quando não sabemos quem somos, recorremos ao que fazem de nós. Nos entregamos aos paletós e mascaras que nos oferecem, nos perdemos nos timbres e sotaques que não nos pertencem.


Isso é normal, ser quem não se é.


No poema Tabacaria, Álvaro de Campos descreve alguém assim. "Conheceram-me logo por quem não era", diz o poeta.


"...não desmenti, e perdi-me."


Andar perdido é a consequência de quem vive como um retalho de opiniões alheias.


Isso é normal, querer agradar quem se quer ser.


Mas o tempo não quer agradar, ele passa e se esvai sem perguntar o que achamos ou sentimos.


"Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara.”

Com o cruel passar do tempo, nos convencemos de que somos apenas um retalho, fadados a acreditar e a usar a mascara que nos foi imposta por uma brutal negação de quem nascemos pra ser.


Uma armadura de rei é oferecida ao pequeno e humilde Davi. Com ela, ele poderia enfrentar um grande exército e ser reconhecido como um grande guerreiro com escudo e elmo da realeza.


"Não posso andar com isso", respondeu o pequeno Davi.


Essa é a frase de um jovem humilde que não quer perder-se em timbres e sotaques que não o pertence; que não quer

ser um retalho de opiniões alheias.


"Não posso andar com isso"...


Essa é a frase que ressoou em Israel instantes antes de um gigante cair perante um humilde e pequeno pastor que negou uma armadura da realeza.






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